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CRÔNICA: Relacionamentos em tempos de COVID-19

É inegável que a ameaça do COVID-19 e a quarentena necessária para sua contenção trouxeram mudanças para todos nós. A alteração de nossas rotinas diárias foi o primeiro grande desafio que tivemos que enfrentar e, somado ao medo, ao desconforto e à ansiedade que uma ameaça nos traz, estamos todos com os nervos à flor da pele.

Já falamos no texto anterior sobre a importância da rotina no confinamento, de forma que dedicarei este texto a uma breve reflexão sobre o que muda nos nossos relacionamentos e no nosso estado de espírito, muitas vezes, abalado, em tempos de COVID-19.



Nesta reflexão, parto do pressuposto de que estamos com nossos ânimos alterados e que a quarentena pode INTENSIFICAR, MODIFICAR e MELHORAR nossos modos de agir e de reagir frente à ação e à reação daqueles que nos são próximos. Isto quer dizer que a quarentena e a ameaça do vírus altera nosso modo habitual de convivência. A forma como isto acontece depende de inúmeros fatores. Vamos a eles.


  • Acesso e familiaridade com tecnologias de informação e de comunicação.

Aqueles que se veem obrigados a trabalhar em home office sem contar com a estrutura ou com a habilidade necessárias para tal, enfrentarão dificuldades adicionais na quarentena. As instituições não podem assumir que todos os trabalhadores possuem computador, impressora multifuncional, internet e uma sala exclusiva para o trabalho. Para trabalhar em home office é necessário definir um horário, um local e as condições técnicas de acesso. Aprender novas tecnologias também pode gerar ansiedade. Estas situações e as definições exigidas nos levam aos pontos seguintes, que são o apoio dos colegas e a estrutura familiar.


  • Apoio dos colegas e chefias.

É no momento em que necessitamos desenvolver novas habilidades e que nossas rotinas de trabalho se alteram substancialmente, que precisamos do apoio daqueles mais próximos à tecnologia. Nesta situação de dificuldade, o contato, a disponibilidade e a empatia dos colegas e das chefias serão uma oportunidade de estreitamento (ou não) de nossos laços de colaboração e de amizade no trabalho. Mostrar-se disponível, com abertura para aprender e para ensinar, é o que dará o tom dos afetos no retorno ao trabalho presencial.


  • Apoio entre familiares.

Muitos de nós contavam com babás, escolinhas, colégios, diaristas ou empregadas para dividir o cuidado com os filhos e as tarefas domésticas. Agora, temos marido, esposa e filhos juntos em tempo integral. Quem ajuda as crianças nas tarefas domésticas? Quem limpa a casa? Quem faz o almoço e lava a louça? Quem faz as compras de mercado? Estas novas demandas exigem da família uma (re)negociação de tarefas. O sucesso nesta negociação, sem sobrecarga a nenhum dos responsáveis pela casa e sem ressentimentos pode fortalecer as relações entre o casal e incentivar atitudes de maior responsabilidade entre crianças e adolescentes, dentro dos limites que suas idades impõem.


  • Ausência de familiares.

O trabalho é fonte primordial de contato social. Para quem reside sozinho, home office pode significar isolamento e angústia e intensificar o medo da doença e da falta de alguém que nos cuide e proteja. Aqui o uso das tecnologias de comunicação para que não se perca o vínculo com amigos, colegas, parentes e vizinhos é fundamental. Não hesite em contatar. Lembre que os outros também podem estar se sentindo sozinhos e precisar de você.


  • Características pessoais.

Aqueles acostumados à vida social intensa e aos esportes ao ar livre provavelmente sofrerão mais com a quarentena. O desafio para estes de encontrar fontes de distração e de alegria dentro dos limites das paredes do lar, será bem maior do que para aqueles afeitos à leitura e às séries de TV, sem o hábito de sair para bares e restaurantes. Aqueles perfeccionistas talvez sofram mais com a quarentena porque se exigirão trabalho em dia, casa brilhando, filhos alegres e cônjuge satisfeito, porque afinal, há tempo para isso – como se tudo isto dependesse somente de tempo livre. Aqueles que já vinham deprimidos também poderão sofrer mais com o isolamento, a autoexigência, a incerteza e o medo.


Então, independente de sua situação ou características, penso que as atitudes a seguir podem lhe ajudar a suportar este período difícil.


  1. Aceite que é preciso tempo para adaptação.

  2. Não se exija perfeição e metas excessivas só porque você dispõe de tempo.

  3. Mantenha o contato virtual com amigos, parentes e vizinhos. Lembre-se daqueles com os quais você nunca tinha tempo para conversar.

  4. Estabeleça uma rotina, negociada com os familiares.

  5. Aprenda novas habilidades, sobretudo aquelas que lhe dão prazer.

  6. Estabeleça limites para tudo: acesso a notícias sobre o vírus, brincadeiras com os filhos, tempo dedicado às tarefas domésticas, tempo de trabalho em casa. Reserve um tempo para você mesmo.

  7. Tente manter o corpo e a mente ativos.

  8. Mostre empatia e espírito de colaboração.

  9. Pense no que realmente é essencial e importante para você neste momento e no futuro. O que você quer preservar e o que você não sente tanta falta.

A incerteza, a ansiedade e o medo passarão, assim como esta pandemia. O que pode restar, pode ser algo bem melhor do que temos hoje.


Por Silvia Generali da Costa para o SIMPE-RS

03 de abril de 2020.






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